10 maio 2018

Ambiguidades

 Ultimamente tem me incomodado muito uma questão sobre um familiar muito próximo. Essa pessoa tem valores muito diferentes dos meus e causa sofrimento a si mesma desde sempre. Eu não gosto dela, às vezes penso como seria bom estar em outro lugar que não seja em sua companhia. Mas, quando a vejo sofrer, eu só consigo desejar ser capaz de aliviar seu peso, de encontrar um remédio para nunca mais vê-la em angústia. Eu a amo. Isso é possível sim, pois aprendi nas minhas reflexões que amar é diferente de gostar.

A metáfora do lago: O amor são as águas profundas, que são mais calmas e não é fácil perturbá-las. O gostar são as águas da superfície. A menor pedrinha causa rumores, o gostar vem de uma parte de nós que quer ser agradada, que gosta de coias bonitas e confortáveis. Quando as coisas saem desse padrão, nos sentimos incomodados e podemos deixar de gostar. Já o amor vem de um outro lugar, aquele em que somos capazes de admitir que o outro merece e deseja ser feliz tanto quanto nós, sente a mesma dor e é igualmente imperfeito. Contra isso não há argumentos.

Hoje eu estava pensando sobre pessoas que são abandonadas em asilos e cheguel a conclusão que não devemos ter pena, pois muito provavelmente esse é um caminho que elas traçaram dia após dia durante suas vidas. E destreinando a ótica dualista, podemos considerar que essa é uma experiência como qualquer outra, que essas consciências precisam viver. Certas coisas são convencionalmente ruins, como doenças e abandono, mas se olharmos para a vida como mais uma existência a ser vivida, provavelmente esses são breves episódios numa longa história. Sei que é um jeito frio de falar dessas coisas delicadas, peço perdão se ofendo alguém. Mas, meu modo de pensar tem caminhado muito pra esse "lado", o que é paradoxal, pois sofro de uma empatia exagerada que me machuca só de pensar em alguma mazelas da humanidade. Como é possível que essas duas coisas existam dentro de mim, não sei dizer. E, sinceramente, não me importo.

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