05 abril 2018

Prefácio

Eu sempre considerei que aqui não existem quatro estações no ano, mas não posso ignorar que em setembro os ipês florescem e as manhãs são de uma mistura especial de sol, vento e os últimos resquícios do frio. Acontece muito comigo de sentir coisas que não consigo chamar de nenhum nome; essas manhãs me trazem um desses sentimentos inomináveis, uma sensação profunda e misteriosa que parece ser só minha. É como se o vento gelado entrasse dentro de mim e tocasse a minha alma ao mesmo tempo que o sol. Por isso eu decidi chamar esse espaço de Último Frio do Ano. Significa que é algo meu, íntimo e tão peculiar que não tem classificação conhecida. Talvez seja ingenuidade minha querer isso, mas eu gostaria que minhas palavras servissem pra aquecer corações de pessoas de alma sensível e delicada como a minha. Escrever é terapêutico e só isso deveria bastar, mas criar expectativas é um vício meu.

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